Eu gosto de parar no metrô e ver as ondas de pessoas indo e vindo, aprendi isso com uma amiga que entrava na balada com uma acompanhante imaginária de 9 anos. Eu fico pensando se eu consigo fazer parte desse mar de gente, mergulhar alí e me misturar. Será que eu consigo me sintonizar com essa força que movimenta essa cidade inteira, deixar ela me levar com essa mesma decisão?
O que eu sinto agora é que qualquer coisa que eu sinta não me interessa, não confio mais em sentir, eu quero é caminhar com essas pessoas, saber a hora de parar e de voltar, nessa dança zumbi, ir com elas a qualquer lugar que seja. Onde vai ser o piquenique? Semana que vem é aniversário da Vó de quem? Vai ter foto minha no álbum de família?
O que eu menos quero agora é pensar, não sei se eu consigo ser sensato, eu quero é me misturar nessa coisa maior, que pensa por mim, me julga, me condena, será que me salva?..
"Quem é que eu sou? Digam primeiro, e se eu gostar de ser a tal pessoa, então subo. Se não, fico aqui embaixo mesmo até que eu seja outro..."
Esse monstro rápido me leva de uma ponta à outra da cidade e depois às outras duas pontas transversais, formando uma cruz. Eu gosto de estar passando, das pessoas passando por mim, dessa agitação do dia; eu queria que fosse dia pra sempre, que a madrugada nunca chegasse com suas luzes amarelas tristes, com seus botecos sujos vazios de propaganda e de movimento.
E o único olho que me olhou de volta estava fraco, desaparecendo, só se mostrava quando a janela do trem passava por algum muro ou anúncio, e estava vazio. As pessoas passam e só sobram os espaços. Esses espaços entre as pessoas parecem ser o que é pra mim. Meu Deus, os espaços entre as pessoas são desertos!
Eu queria que essa queda fosse menos lenta, que não me deixasse tempo para inferências. Que não parasse em cada estação, que o meu destino e o dessa gente andassem mais perto, dando fim aos espaços vazios que resistem ao horário de pico.

5 comentários:
Adorei o texto!
Mas as ultimas falas me fizeram lembrar muito de quando eu fui no show dos rolling stones na praia ou no ano novo quando todos vão ver os fogos em copacabana. Tudo o que você almeja no seu texto meio que se torna real, porque todos estavam indo ao mesmo lugar e com o mesmo objetivo sabe. Era como se todas as pessoas fossem apenas uma, e realmente era uma energia diferente sabe afinal todos sem exceção ali tinha algo em comum! Ow, vê se qualquer ano vem passar a virada aqui no rio, ai a gente pra copacabana de metro! xD~
Verdade!... sinto meio que isso... quendo vou aos campeonatos de JUdo! hehe.... ser um com todos...ou todos comigo...
Texto maravilhoso!
Sabe...
Eu concordo.
Ao mesmo tempo que fisicamente as pessoas estão tão perto uma da outra, estão longe sentimentalmente, intelectualmente, emocionalmente, espiritualmente...
Sobre o vão?
Também curto o vai-e-vem das pessoas e me sinto longer delas.
Bem vindo ao grupo dos estranhos da sociedade, meu amigo.
Te cuida...
Pher ^^
Pq vc se chicoteia tanto, Maikakinho? Vc não é um monstro. Te amo, cabeção. Fique bem e pronto.
todos somos um!!!
o teu txto me remeteu a uma sensaçao que sempre tenho... no fundo no fundo todos somos muito parecidos se olhados de perto
a nossa essência é una
bjo... amo vc amigo
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