Acredita-se que há bilhões de anos atrás éramos todos a mesma cabeça de alfinete esperando pra explodir, no meio de um lugar que ainda viria a existir. Antes disso a gente ainda não sabe no que acreditar, no que éramos antes, antes, antes, antes de estarmos prestes a explodir e nos tornar cada um um, antes de deixarmos de ser o mesmo ponto. Antes de virmos do nada a ser a vizinhança, o planeta, o universo. Tudo.
Será que a gente acredita mesmo que o tudo, no final das contas, uma hora surgiu do nada? Isso não faz muito sentido... é como se estivessem tentando me convencer de que foi Deus quem me criou e virou as costas sem nem esperar pra ver o resultado ou que ele está escondido em algum lugar jogando comigo e vendo se eu consigo fazer o que ele quer que eu faça sem ele precisar vir pessoalmente me mandar. Me distraindo pra eu não me perguntar de onde foi que ele surgiu. Em quem que Deus acredita.
A verdade é que, depois que a gente explodiu, depois que a gente deixou de ser um ponto em comum, a gente ficou foi muito sozinho. Eu queria que Deus existisse pra me fazer companhia. Pra me ver por dentro e saber o que eu quero dizer quando eu digo outra coisa com medo de ser entendido. É porque às vezes apesar de todas as minhas ligações eu me sinto um àtomo só. Eu preferia ser uma cabeça de alfinete inteira do que ser o universo inteiro e ser sozinho, imcompleto, sempre buscando o outro si mesmo. Por que afinal a gente precisou explodir? O que surgiu de tão maior entre nós que nos afastou tamanha distância?
Eu queria me explicar e deixar de ser um segredo, uma história tão distante que ninguém nunca vai saber quem inventou. Eu queria deixar de ser sobrenatural mas não dá, porque eu não comecei, eu não comecei e existir é sobrenatural! Se for então pra ser sobrenatural eu quero Deus. Quero que Deus exista pra eu não sentir que aconteço em vão... que é pra eu achar que alguém sabe o final da história, onde eu vou chegar e que seja alguém que eu acredite que tenha bom gosto, que seja Deus.
Não preciso que Deus exista de verdade, só que finja existir, nem precisa ser só amor. Só precisa saber o final, ser pra mim a linha contínua ao longo da qual eu possa ir rabiscando.

Um comentário:
Muito bom, sumidão!!
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