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O que posso contar é a minha versão do mundo, que é na verdade tudo o que eu sou, porque a gente só é o que percebe.

domingo, 25 de janeiro de 2009

A Colméia

Na frente do espelho, os versos vinham sendo ensaiados repetidas vezes e dentro dos braços existia um espaço aflito, trêmulo, esperando ser preenchido pelo único ser capaz de preenchê-lo alí: o ser que preenchera todo o resto. Cada função monótona desse organismo agora se assistia, mobilizada num mesmo ritmo, como uma orquestra viscosa esticando carnes que bombeavam líquidos que banhavam toda a coisa.
Um estado de alerta eterno para o que só aconteceria dalí a algumas semanas - aquele conjunto de coisas bombeantes, viscosas e correntes não sabia agir muito convenientemente; como até hoje não sabe.
O que aconteceria enfim era o corpo esperado, embaixo do qual ele caberia tão perfeitamente bem. A plenitude que se manifestava ao abraçá-lo apertado, sentindo que aquilo estava mesmo alí, não poderia ser explicada a um corpo que nunca a tenha sentido. Andar com ele na rua, na areia quente era andar rumo a tudo que foi aquecido durante os ultimos meses. Eles deixaram, então, o mar lamber sua união, envolta por uma beleza simples - que seria perturbada pela humanice contida no tal organismo, mas que continuaria existindo simples - e profundamente acolhedora.

Talvez a frágil orquestra orgânica nunca tenha sentido tanta segurança e talvez nunca tenha tido tanto a perder como aquilo que acabara de ganhar. Havia chegado a hora dos versos tão cuidadosamente decorados: "... Eis o momento, sejâmo-lo, pra quê pensamento?". Foi quando enfim começou a fazer parte do que tanto queria. Esse outro ser extamaente igual a si em muitos aspectos lhe completava de tal maneira, como se tudo em si fosse metade.

7 comentários:

Hudson Pereira disse...

Acho incrível como vc articula as palavras amigo, o que consigo tirar pra mim deste texto, é que minha orquestra orgânica tá toda em desalinho, tudo um caos.

Mas parabéns Mike, eu preciso que você escrva mais.

Unknown disse...

Mike,

Adorei o texto e este me toca de uma maneira especial agora. Pois este meu organismo também experimenta, pela primeira vez em muitos anos, a sensação de ser apenas metade, de ser uma peça de encaixe de algo maior.

Legal você ter voltado a escrever! Parabéns!

Rubem

Anônimo disse...

Há vida inteligente após o casamento!

Amo teu jeito de descrever as coisas.

Vísceras! O que somos nós além delas?

fabiano de castro disse...

porra, do caralho !!!
apenas metade .. eh ... qum sabe apenas 1/3 ou 1/5 !!!
abraço

Luara Quaresma disse...

Voce escreve muito bem!

Larissa disse...

Adorei!
lembra um livro q li...

Tô esperando o próximo...

Unknown disse...

hunf! blog largado às baratas! escreve, preguiçoso!